O livro Colecionador de pedras reúne textos que falam do cotidiano da periferia de São Paulo, da vida dos homens, das mulheres e das crianças “das casas simples / e almas bravias”. Os poemas de Sérgio Vaz são engajados, sem ser panfletários, e não fazem rodeios, pelo contrário, espetam o dedo nas muitas feridas de uma sociedade excludente, uma sociedade que, com a mesma rapidez com que gera riquezas, cria as “tropas dos famintos”. E, dessas tristes tropas, se destaca a figura dolorosa dos mais frágeis entre os frágeis, as crianças que vivem na rua, sem passado nem futuro, ou são exploradas no trabalho infantil como escravas, e se aposentam “aos onze (…) por invalidez”. Vaz empunha a poesia como arma, disposto a “esfaquear os tiranos / com o aço” das suas palavras. Entretanto, também não poupa a multidão dos “covardes / que habitam na senzala / do silêncio”, e nada fazem para transformar a realidade injusta. Sem ser maniqueísta, sem vender utopias baratas, a poesia de Vaz é social no melhor sentido da palavra. E, educadamente, o poeta avisa aos detentores do poder: “As pedras não falam, / mas quebram vidraças.”
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