Para Luis Fernando Verissimo
Minha poesia uma doação para o futuro?
Ora, Camões
Quando o homem do século XXX
por acidente topar com ela
entre computadores, armas
e outros trastes de hoje
(quando buscava sabe-se lá o quê)
e decifrar, nestes arabescos,
a mão que os criou e sua dor,
só por um instante pensará com seus zíperes
antes de devolver meus poemas ao pó:
Não é que esses trogloditas
já sofriam igual a nós!