Maria-mole

Lá vai meu tio de cabeça baixa como boi resignado
A nuca de fora sob o cabelo cortado redondo
Vai suar na fundição por um salário miserável
e crê que o patrão o tem em alta conta

Lá vai meu tio de fundilhos remendados
Na mão o almoço envolto em papel de embrulho
Ele ama o suadouro e a fuligem da fundição
porque o põem noutro mundo longe da mulher com úlceras

Lá vai meu tio calçando sapatos maria-mole
Malandro quarentão assovia pras moças de minissaia
À noitinha no bar toma um e outro gole
e volta pra casa, os olhos no barro das ruas do bairro Liberdade

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