Autorretrato

Meu jogo é na defensiva.
Ao contrário de Caetano,
que dribla e brilha, eu disfarço
– espalhafatoso tímido.

Meu andar na corda bamba
é ser um homem comum.
Expor-se ao bandido é luxo
de herói de bangue-bangue.

Que pode a literatura
contra a vida a se perder?
Meus versos mal deixam ver
quanto em mim fica no escuro.

No entanto, me rói por dentro
(imperdoável desatino)
a esperança de algum dia
marcar um gol de goleiro.

 

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