Do Parnaso ao pão nosso

Fogos de artifício
no céu do papel
espocam e se apagam.

Cadê os poetas do nosso tempo?
Dos nossos sonhos, ossos, esperas?
Da nossa língua dividida em classes?

Jogam seu frio dominó?
Extraem faturas ou notas?
Voltaram ao parnasianismo?

Atarefados, compilam
manuais de esoterismo
e metafísicas sem dor?

Garimpam rimas pra vida
no dicionário de rimas?
Produzem releases, layouts?

Autografam? Infestam coquetéis?
Alagam livros e suplementos
com destroçamentos gratuitos?

Cadê os poetas, pergunto,
que possam nutrir nossas almas
com alguma emoção do mundo?

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