Fênix invicta

Por capricho dos deuses
brotou, anônima,
no canteiro rente à rua.
Crianças a pisavam
por descuido ou maldade.
Ela se recompunha.
Veio a seca, veio a chuva.
O granizo rasgou suas folhas.
Na primavera, estreou folhas novas.
Vieram as máquinas da prefeitura.
Arrancaram os paralelepípedos da rua
e jogaram uma caçamba de paralelepípedos sobre ela.
Passou meses soterrada.
Levaram as pedras. A rua agora de asfalto.
Uma muda de árvore no lugar,
com um cercadinho.
Fênix invicta,
rebrotou das raízes
adormecidas.
Fez-se alta e vistosa
como nunca antes
ao lado da árvore nova.
“Ela dá flor?” pergunta o menino à mãe.
“Acho que não”, diz a mãe. “Deve ser folhagem.”

Comigo-ninguém-pode.
Esse é o nome da planta.

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