Portas fechadas
Não movem moinhos
Portas abertas
Destampam abismos
Fernando Pessoa
Assoprou pra mim
Que todas pessoas
São assim, assim
Portas fechadas
Portas abertas
Portas de Portugal
Mudam as vontades
A vida é mudança
Eu não moro em casa
Onde eu moro não importa
Camões vem ao meu lado
Salvou seu livro a nado
Mas eu não nado nada
Agora Inês é morta
Portas fechadas
Portas abertas
Portas de Portugal
Navegar é preciso
Ver o desconhecido
O caminho das Índias
Passa pelo Brasil
A Terra caiu na rede
Ao alcance de um clique
Mas meu site na rede
Tomou chá de sumiço
Portas fechadas
Portas abertas
Portas de Portugal
Viver é impreciso
Os mapas são antigos
As bússolas viciadas
E os astros decaídos
Gastei sola em Angola
Portugal e Bahia
Noves fora, viola
A vida é utopia
Portas fechadas
Portas abertas
Portas de Portugal