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Author Archives: Paulo Becker
Neusa
Minha cara Neusa Rocha, minha cara, nossa cara, a educação, sim, tem cara: é a cara do professor, é a cara da professora que no dia a dia encaram a tarefa de ensinar a palavra e o além-palavra – o … Continuar a ler
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Onde estão?
Me colocaram a guardar o fogo. Sozinho no pátio. Era Semana da Pátria? Era Semana Farroupilha? O simbolismo se desfez em cinzas. O próprio fogo há muito jaz extinto. Onde andará a professora Olívia? Meus amigos Hilário e Adalberto? A … Continuar a ler
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Gaiota
Como não tinha um pintor expressionista naquele instante a atravessar a avenida? Como não tinha um fotógrafo que fosse? Um repórter de tevê com a câmera a postos? Só cruzou por ali um poeta novato e registrou a cena em … Continuar a ler
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Mutti
Após a morte da mãe, passados meses do seu enterro, eu vislumbrei, ao despertar, seu vulto à minha cabeceira. – Mortos não morrem, soprou-me ela. Sem perceberem, vocês nos carregam até que possamos renascer. Hoje eu pari minha mãe inteira. … Continuar a ler
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Exílio na rua Cipó
Minha rua tem sabiás que ciscam por trás das grades e cantam como os de lá. Tem gramado atrás das grades. Tem jardins atrás das grades. Tem grades atrás das grades. Tem um cipó pendurado em galho nenhum, na mata … Continuar a ler
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Mãe
Mãe, palavra ímpar Não tem rima na língua Nem no coração
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Portas de Portugal
Portas fechadas Não movem moinhos Portas abertas Destampam abismos Fernando Pessoa Assoprou pra mim Que todas pessoas São assim, assim Portas fechadas Portas abertas Portas de Portugal Mudam as vontades A vida é mudança Eu não moro em casa Onde … Continuar a ler
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Triste Brasil
Uma raposa estudada do Supremo Tribunal vem gastando o seu latim pra mandar pro xilindró quem matou galo e galinha. Enquanto isso, em Gotham City, a mesma suprema corte devolve à instância inferior o caso do mandatário que afanou milhões … Continuar a ler
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Achados e perdidos
Os editores reclamam que ninguém lê poesia. Que somos incompreensíveis. Fossem às livrarias e desvendavam o mistério: não há poesia à venda. Entretanto, Libertinagem se expõe ao público, pouco cabotino, entre livros pornográficos. Claro enigma? Fácil! Na seção de charadas. … Continuar a ler
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Cascudinho
O cascudinho veio voando e pousou no meu braço. Era verde-ouro-aveludado, de uma cor que eu nunca sonhara. O cascudinho bateu asas. Não o retive com a mão por medo de machucá-lo. Mas chorei porque foi-se embora. Hoje, se um … Continuar a ler
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