Author Archives: Paulo Becker

Emmanuel Marinho

Poesia não compra sapato, mas como andar sem poesia?  

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Manhã de inverno

No jardim coberto de geada a última boca-de-leão bate os dentes.

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Entrevista Jornal do Almoço

Segue link de entrevista que dei ao Jornal do Almoço da RBS, afiliada da Globo, sobre canções das Jornadas de Literatura de Passo Fundo. http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/jornal-do-almoco/videos/t/passo-fundo/v/compositor-fala-sobre-a-melodia-que-embala-leitores-na-jornada-nacional-de-literatura/2773231/

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Sapatos

Meu Pai teve na vida dois pares de sapatos: um de solteiro, outro de casado. Falava que enfrentaria o Presidente da República com as botas sujas da roça, pois é digno todo aquele que trabalha. Mas enfrentou a Mãe, diante … Continuar a ler

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Final feliz

Morte, minha princesa, somos poeira de estrelas. Vem deitar-te comigo. O círculo se fecha. Volto a ser o que eu era antes de haver nascido.

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Banho-maria

Os cafezinhos do stress. Os cigarros da ansiedade. Conversa de dedos trêmulos e assuntos esfarrapados. No teatro, qual teu papel? No circo, és tu o palhaço? Eis o espelho, e eis tu mesmo. Eis o teu maior rival. A infância … Continuar a ler

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Parto difícil

O poema tem parto difícil Desentranha lenta pedra do coração do poeta Deixa membranas, veias, pele por cortar O poema vai-se formando aos poucos, sorrateiro, até chegar o momento em que é o poeta quem resta para dentro do poema, … Continuar a ler

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Autorretrato

Meu jogo é na defensiva. Ao contrário de Caetano, que dribla e brilha, eu disfarço – espalhafatoso tímido. Meu andar na corda bamba é ser um homem comum. Expor-se ao bandido é luxo de herói de bangue-bangue. Que pode a … Continuar a ler

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Viver, verbo intransitivo

O dia está tinindo de tão novo, de tão limpo Vontade de ser sino e vibrar no ar blém-blom, blém-blom o gozo de estar vivo Tenho um passado Não posso livrar-me disso Tenho um futuro Dele também não me livro … Continuar a ler

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À espreita

No quarto andar da fábrica de cola o jovem empregado empilha latas e vê, pela parede envidraçada, a muralha de nuvens cinza-chumbo erguer-se ameaçadora no horizonte O suor goteja-lhe do rosto e empapa a camiseta do uniforme azul Os galões … Continuar a ler

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