Author Archives: Paulo Becker

Berrante

Meu vô, me empresta o berrante Quero chamar meus irmãos Deu estouro na boiada e eu sozinho não dou conta Meu vô, me empresta o berrante Quero chamar meus amigos O baile vai começar e há mulheres como trigo Meu … Continuar a ler

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Dublê de alma

Salto da dor em movimento. Ponho a correr gangues de mágoas. Encaro o medo maior que eu. Rio da minha vaidade exposta. Troço do amor, triste pedinte. Saio da dança da indecisão. Rezo. Blasfemo. Me desconheço. Pêndulo cego, jogo entre … Continuar a ler

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Café da manhã

Deus não habita este lar Este ar Esta xícara de café frio Ao redor da mesa, a família, com dentes cariados e mãos duras toma o café da manhã Mastigam e engolem, famintos, e falam dos trabalhos do dia Embaixo … Continuar a ler

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A dor me pôs na sombra, na penumbra

A dor me pôs na sombra, na penumbra, porque a dor traz a noite quando irrompe, e onde estou não se encontra um outro homem mortificado como eu sou – nenhum. Dor com dor e mais dor: meu desjejum. Dor … Continuar a ler

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Anoitecer

Após um dia de trabalho desço o morro ao anoitecer Diviso as roças de sempre, iluminadas pelo último sol, as casas de sempre, as mesmas florzinhas sob as janelas, e sinto uma vontade imensa de carregar tudo isso comigo – … Continuar a ler

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Pedra negra sobre uma pedra branca

Morrerei em Paris com aguaceiro em um dia do qual já me recordo. Morrerei em Paris – e não me apresso – numa quinta, talvez, num outro outono. Numa quinta será, porque hoje, quinta, ao meter os meus úmeros à … Continuar a ler

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Longada

Mario Quintana passeia nas ruas de Porto Alegre sem mais saber se é ele ou um poema seu, inédito, carregado pelo vento.

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Maria-mole

Lá vai meu tio de cabeça baixa como boi resignado A nuca de fora sob o cabelo cortado redondo Vai suar na fundição por um salário miserável e crê que o patrão o tem em alta conta Lá vai meu … Continuar a ler

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Noturno

Sou ônibus recolhendo. Não paro pra mais ninguém.

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Porque no engraso los ejes

Poeta jovem, escrevia versos para me mostrar superior, sensível, singular No embalo das musas dramatizava dores e amores num espetáculo solo sobre o palco e se o aplauso não vinha é que o público era surdo Hoje escrevo só para … Continuar a ler

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