Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar meus irmãos
Deu estouro na boiada
e eu sozinho não dou conta
Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar meus amigos
O baile vai começar
e há mulheres como trigo
Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar meus comparsas
A briga está muito feia
e já fiquei lastimado
Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar Catarina
O maio já vai em meio
e a tapera está erguida
Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar a parteira
Catarina berra e berra
e eu não sei nenhuma reza
Meu vô, me empresta o berrante
Quero chamar os meus filhos
Rumaram pra Capital
e ninguém manda notícias
Meu vô, me empresta o berrante
Quero tanger a tristeza
Catarina partiu antes
e é longo o entardecer
Meu vô cego e surdo e morto,
já estou com o pé no estribo
Vamos prosear, sem demora,
cara a cara, no infinito
Teu berrante já não vibra
seu fundo e grave chamado
Orna a parede da sala
de um bisneto tresmalhado