Os editores reclamam
que ninguém lê poesia.
Que somos incompreensíveis.
Fossem às livrarias
e desvendavam o mistério:
não há poesia à venda.
Entretanto, Libertinagem
se expõe ao público, pouco cabotino,
entre livros pornográficos.
Claro enigma? Fácil!
Na seção de charadas.
O cão sem plumas na veterinária.
A luta corporal nas artes marciais.
O aprendiz de feiticeiro no ocultismo.
O coração disparado na cardiologia.
E assim os livreiros escondem
– inscientes ou sábios? – os ovos
de Páscoa da poesia.
Coincidentemente, hoje eu li João Cabral de Melo Neto, O cão sem plumas…
Pode parecer mentira, mas esse poeminha originou-se de uma situação real, semelhante às descritas no texto, só que envolvendo um livro meu, Alta Tensão, que foi parar na prateleira reservada à Engenharia.
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